• Centro de Preservação da Memória

O promotor japonês e o sashimi

Valdecir Guidini de Morais
Publicação: 03/09/2020

No final do ano 2003, estando na fria capital Curitiba, atuando como procurador de Justiça, em segundo grau, ao completar 36 (trinta e seis) anos de serviço público, sendo 23 (vinte e três) anos como promotor e procurador e 13 (treze) anos como serventuário da Justiça, resolvi “pendurar a chuteira”.

A partir deste momento, procurei participar com mais assiduidade da APMP (Associação Paranaense do Ministério Público), inclusive, tendo a inolvidável honra de integrar a diretoria, durante três gestões – e, também, como presidente interino – desta dinâmica e operosa entidade de classe. Nessa época, concretizamos um antigo sonho, acalentado há décadas, que foi a conclusão e inauguração da nossa Sede Litorânea, em Praia de Leste, no Balneário Monções, em Matinhos (PR). Considerando a minha disponibilidade, em face da recém aposentadoria, fui convidado para ser o diretor da referida Sede Litorânea. Aceitei! Tendo, inclusive, passado a residir, em período de temporada, na própria Associação.

Em razão deste posto, passei a conviver, no dia a dia, com mais intensidade com os associados, convidados e familiares. Muitas situações agradáveis – e também desagradáveis – ocorreram. Algumas até mesmo cômicas! Uma delas – que me lembro neste momento – foi quando em um ensolarado domingo, um promotor nipônico, recém empossado, foi convidado – sendo, na verdade, praticamente “coagido” – a preparar um “sashimi”. “Quem quer participar?!”, ele bradou. Em poucos minutos, já tinha colacionado uma dezena de interessados na iguaria, inclusive eu. A “vaquinha” foi feita e ele logo partiu para comprar os ingredientes e o peixe. Como é curial, na praia, o peixe “fresco” deve ser comprado logo bem cedo. Ao meio dia, com o sol escaldante, só se adquire o restolho. Retornou, em pouco tempo, o promotor japonês.

Obviamente, imaginávamos que ele – principalmente devido à sua genética – conhecesse de peixe e de “sashimi”. Ledo engano! O mesmo limpou o peixe; preparou tudo, com muito carinho; e passou a servir os circunstantes. Tinha repolho, shoyu, limão, gengibre, e umas tiras de peixe, este já meio esbranquiçado e farelento. Comemos à vontade! Até que em certo momento, um dos confrades, perguntou ao nipônico que peixe era aquele. Pasmem! Ele respondeu que o único peixe que tinha encontrado na banca, quando foi comprar naquele horário, era um tal de “baiacu”. Alguém, já engasgado, falou: “caracas” mas este peixe é venenoso! Se não for retirado o seu fel, ele mata em menos de meia hora! O promotor japonês perguntou: “QUE FEL?”.

Pronto! Todos ficamos perplexos, apavorados, e estarrecidos, sendo que neste momento um filho de um dos integrantes da confraria, começou a passar mal (obs: depois é que soubemos que foi por outro motivo qualquer). Enfim, houve apenas alvoroço e apavoramento, sendo que por nossa sorte, felizmente, nada de pior aconteceu, mas serviu de lição, pois nem sempre o gaúcho sabe fazer o melhor churrasco; e o “japonês” entende de peixe e de “sashimi”!!!

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